Para os meus amigos...
Uma estória oriental conta de uma árvore solitária que se via no alto da montanha.Não tinha sido sempre assim.Em tempos passados a montanha estivera coberta de árvores maravilhosas, altas e esguias, que aos lenhadores cortaram e venderam.Mas aquela árvore era torta, não podia ser transformada em tábuas.Inútil para os seus propósitos, os lenhadores a deixaram lá. Depois vieram os caçadores de essências em busca de madeiras perfumadas.Mas a árvore torta, por não ter cheiro algum, foi desprezada e lá ficou.Por ser inútil, sobreviveu.Hoje ela está sozinha na montanha.Os viajantes se assentam sob a sua sombra e descansam.
Um amigo é como aquela árvore.Vive de sua inutilidade.Pode até ser útil eventualmente, mas não é isso que o torna um amigo.Sua inútil e fiel presença silenciosa torna a nossa solidão uma experiência de comunhão.Diante do amigo sabemos que não estamos sós. E alegria maior não pode existir.
Texto extraído do livro “O retorno e terno” crônicas - Rubem Alves
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